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Fundada pela brasileira Luana Lopes Lara, a Kalshi se consolidou como uma das principais plataformas de mercados preditivos do mundo. Diferente das casas de apostas tradicionais, a empresa permite negociar contratos sobre eventos futuros — de recessão nos Estados Unidos à premiação do Oscar — com licença oficial da CFTC, órgão regulador de derivativos dos Estados Unidos.
A Kalshi opera como uma bolsa de contratos de eventos. Os usuários compram e vendem contratos baseados em perguntas de “sim” ou “não” sobre acontecimentos mensuráveis O preço de cada contrato varia entre US$ 0 e US$ 1, refletindo a probabilidade de o evento ocorrer segundo o mercado.
A Kalshi movimentou US$ 5,8 bilhões em volume negociado apenas em novembro, segundo o site especializado The Block. O número representa um crescimento de 32% em relação a outubro. A expansão é puxada pela entrada da empresa no segmento de apostas esportivas complexas (parlays), que já responde por 80% do volume.
Com o crescimento, a empresa tornou-se um player relevante também frente às tradicionais plataformas de apostas esportivas, como DraftKings e FanDuel, que agora estudam entrar no setor de prediction markets.
Em dezembro 2025, a Kalshi anunciou uma rodada Série E de US$ 1 bilhão, que mais que dobrou seu valor de mercado para US$ 11 bilhões, cerca de R$ 58,6 bilhões na cotação atual. Entre os investidores estão Paradigm, Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, ARK Invest, CapitalG (Google), Meritech, IVP e Y Combinator.
Com a rodada, Luana e o cofundador Tarek Mansour tornaram-se bilionários no papel, com participações entre 20% e 25% da empresa, segundo fontes com conhecimento da estrutura societária.
Regulação e disputas legais
Apesar do crescimento acelerado e do aumento exponencial no volume de negociações, a Kalshi enfrenta obstáculos no campo regulatório. A principal disputa gira em torno da classificação jurídica da plataforma: enquanto a empresa se define como um mercado de derivativos regulamentado, autorizado pela CFTC dos Estados Unidos, autoridades estaduais argumentam que suas operações se enquadram como apostas esportivas e comerciais, sujeitas às legislações locais de jogos.
A Kalshi sofreu um revés judicial após uma decisão federal determinar que a empresa deve obedecer às regras da comissão de jogos do estado de Nevada, ainda em dezembro.
A empresa discorda da decisão e já anunciou que pretende recorrer, alegando que sua atividade principal é financeira, e não recreativa, sendo comparável ao mercado de futuros de commodities.








