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O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros vendidos ao mercado norte-americano. A nova cobrança entra em vigor no dia 22 de julho, mas uma extensa relação de mercadorias consideradas estratégicas ou essenciais para a economia dos Estados Unidos foi retirada do chamado “tarifaço”.
Entre os produtos isentos estão alguns dos principais itens da pauta de exportações brasileira, como carne bovina, café, petróleo, celulose, aeronaves, frutas, sucos e determinados pescados. Também ficaram de fora da sobretaxa o café solúvel, o mel orgânico certificado e parte das exportações de tilápia.
A inclusão desses produtos na lista de exceções ocorreu após negociações entre os governos e manifestações de entidades brasileiras durante audiências públicas realizadas nos Estados Unidos nos dias 6 e 7 de julho.
A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR. Segundo o órgão, a tarifa é resultado de uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
Principais produtos isentos e taxados
A lista de exceções inclui produtos considerados importantes para consumidores, indústrias e cadeias produtivas dos Estados Unidos. Em vários casos, empresas norte-americanas argumentaram que os itens brasileiros não possuem substitutos disponíveis em quantidade suficiente no mercado interno.
Entre os produtos que ficaram fora da tarifa de 25% estão:
- carne bovina fresca, congelada, processada e miudezas;
- café em grão, torrado, moído e solúvel;
- tilápia, atum, lagosta e outros pescados;
- mel orgânico certificado;
- castanha-do-pará, castanha de caju, frutas e sucos;
- petróleo, gás natural, biodiesel e outros combustíveis;
- minérios, fertilizantes, medicamentos e vacinas;
- computadores, smartphones, circuitos integrados e equipamentos eletrônicos;
- aviões, helicópteros, drones e motores de aeronaves;
- madeira, celulose e determinados produtos de papel.
Por outro lado, a tarifa será aplicada a setores com forte presença da indústria brasileira, incluindo:
- etanol;
- máquinas agrícolas;
- vestuário e calçados;
- equipamentos elétricos;
- equipamentos de mineração;
- ferramentas de jardinagem;
- açúcar orgânico;
- bens de capital;
- produtos químicos;
- itens industriais e manufaturados em geral.
As mercadorias que já tiverem deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos antes da entrada em vigor da medida não estarão sujeitas à cobrança adicional.
Representantes das indústrias de café comemoraram a inclusão do café solúvel na relação de exceções. O café em grão, torrado e moído já estava entre os produtos que não seriam atingidos.
Entidades do setor avaliam que a decisão preserva exportações brasileiras estimadas entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano. Os Estados Unidos são um dos principais consumidores e importadores de café do mundo.
O setor de mel também considerou positiva a retirada do produto orgânico da lista. Representantes da cadeia produtiva atribuíram a decisão às manifestações técnicas apresentadas durante as consultas e audiências promovidas pelo governo norte-americano.







