Notícia
A Justiça Federal de Rondônia, acolhendo pedido do Ministério Público Federal, determinou a imediata retirada de indígenas da etnia Kanamari, oriundos do Amazonas, bem como de madeireiros, líderes religiosos e outros não indígenas que estejam ilegalmente ocupando a Terra Indígena Kwazá do Rio São Pedro. O território está localizado no município de Parecis, no leste de Rondônia, e é ocupado tradicionalmente pelas etnias Kwazá e Aikanã, conforme decreto de fevereiro de 2003 que homologou sua demarcação.
Na decisão, o magistrado responsável pelo caso acolheu os argumentos apresentados pelo MPF de que a entrada dessas pessoas na terra indígena não teve o consentimento dos povos Kwazá e Aikanã, caracterizando o chamado esbulho (perda da posse de um bem). Isso porque a presença ilegal vem causando aparente impedimento dos legítimos ocupantes da TI Kwazá ao exercício da posse de suas terras, em contrariedade com o ordenamento jurídico.
Dessa forma, foi determinado, em caráter liminar, a reintegração de posse da Terra Indígena Kwazá do Rio São Pedro, com auxílio de força policial (Polícia Militar e/ou Polícia Federal), se necessário, com as cautelas devidas para evitar o incremento dos conflitos na área. Além disso, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) deve ser informada sobre a migração de pessoas da etnia Kanamari para terras de ocupação tradicional sem o consentimento dos legítimos ocupantes, para que sejam adotas as medidas adequadas de contenção. Em caso de descumprimento da decisão e comprovado reingresso de ocupantes ilegais no território Kwazá, foi estabelecida multa de R$ 50 mil.
Risco às etnias – Ao ingressar com a ação, o MPF destacou que a ocupação irregular ameaça o modo de vida tradicional e a própria existência das etnias Kwazá e Aikanã, tendo em vista que são extrativistas de açaí e dependem da existência da floresta. De acordo com a peça, os indígenas alegam que o território é pequeno (16 mil hectares apenas) e, desde sua demarcação, encontra-se com grande área desmatada – situação que vem piorando ao longo dos anos com o ingresso de não-indígenas e, agora, mais ainda com a chegada de indígenas Kanamari.








