Notícia
O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou, nesta quinta-feira (11), o Plano de Trabalho para a criação do Parque Nacional Tanaru, em Rondônia. A medida busca preservar a memória do chamado “Índio do Buraco”, último sobrevivente de seu povo, que viveu em isolamento por quase 30 anos até morrer em 2022.
A área corresponde à Terra Indígena Tanaru, com cerca de 8 mil hectares, distribuídos entre os municípios de Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste. Atualmente, a região é protegida por portarias da Funai que expiram neste ano.
Quem foi o “Índio do Buraco”?
O indígena recebeu esse apelido por escavar grandes buracos nas palhoças que construía. Também ficou conhecido como “Tanaru”, em referência ao território em que vivia. Ele foi visto pela primeira vez em 1996 e permaneceu isolado até ser encontrado morto em agosto de 2022.
Segundo a Funai, os últimos membros de seu povo foram mortos em 1995, tornando-o o último representante de sua etnia, cuja língua e costumes nunca foram identificados.
Decisão do STF
O plano aprovado prevê que a União informe, semestralmente, o cumprimento das etapas para a implementação do parque. O relator do caso, ministro Edson Fachin, considerou que a medida cumpre o dever constitucional de proteção à organização social, costumes, línguas, crenças e tradições indígenas, além de preservar patrimônio ambiental e cultural.
“A criação do Parque Nacional Tanaru é um instrumento de reparação da violência histórica sofrida pelos povos originários”, afirmou Fachin em sua decisão.
Disputas pela terra
Após a morte do indígena, houve tentativas de invasão da área por fazendeiros. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a emitir notificações em 2022 para impedir a ocupação ilegal do território e, em 2023, câmeras da Funai registraram pessoas entrando na palhoça do “Índio do Buraco” pouco depois de seu sepultamento.
A criação do parque, de proteção integral, é vista como a solução definitiva para garantir a preservação da memória do povo Tanaru e evitar que o território seja explorado de forma irregular.
Linha do tempo: “Índio do Buraco” e a criação do Parque Nacional Tanaru










