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Comissão Pastoral da Terra realiza XV Assembleia em Rolim de Moura‏

Fonte: Do Rolnews
28/06/2016 18h 02min

Notícia

Comissão Pastoral da Terra realiza XV Assembleia em Rolim de Moura‏

Nos dias 28 a 30 de junho, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) reunirá agentes da Pastoral, trabalhadores e trabalhadoras rurais, comunidades tradicionais, estudantes e representantes das entidades parceiras para a realização da XV Assembleia do Regional Rondônia que acontecerá no Centro de Formação da Paróquia Luterana, Princípio da Esperança, em Rolim de Moura,.

A Assembleia será um momento de partilha das vivências e lutas dos povos da terra em 37 anos de existência da CPT em Rondônia, sua espiritualidade e os novos desafios diante da conjuntura atual.

Segundo a coordenadora estadual, Maria Petronila Neto, a Assembleia também será um momento para a prestação de contas do conselho fiscal e coordenação atuais, eleição de nova coordenação e definição das linhas de ação e prioridades para os próximos anos.

Criada em 1975, a CPT é fruto da indignação da Igreja diante da violação dos direitos de povos indígenas, quilombolas e de camponeses que tinham seus territórios invadidos por grandes empresas que se estabeleciam na Amazônia, com o apoio e estímulo dos governos militares, que concediam a elas fartos incentivos fiscais para ali se estabelecerem, explorando o trabalho de milhares de trabalhadores..

Hoje a situação dos homens e mulheres do campo não é melhor do que naquele tempo.

RO é líder nacional de assassinatos no campo

O número de camponeses assassinados por conta de conflitos no campo em 2015 foi o maior em 12 anos. Segundo relatório divulgado pela CPT Nacional, foram 50 mortes violentas --39% a mais que em 2014, quando foram 36 vítimas.

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Rondônia é o estado com o maior número de assassinatos no Brasil, 20, seguido pelo Pará, com 19. Segundo o relatório, 80% dos assassinatos ocorreram na região Norte.

Em 2003, foram 71 mortes, o maior número registrado no século. Desde 1995, somam-se 759 mortes registradas no país por conta de conflitos.

Para Maria Petronila Neto, a falta de regularização fundiária das terras em Rondônia é um dos principais fatores geradores dos conflitos. "Grande parte desses conflitos em aconteceram em áreas cujos Contratos de Alienação de Terras Públicas, os CATPs, que não foram devidamente executados, ou que já deviam ter sido anulados. Estas áreas, de acordo com a Constituição Federal deviam ter sido destinadas à Reforma Agrária, mas acabam nas mãos de grileiros", informa.

Números sangrentos

O relatório também mostra que, no país, existem 1.217 conflitos no campo, envolvendo 816 mil pessoas. O número é um pouco menor que o de 2014, quando foram 1.286 casos.

Desses, 1.018 conflitos de 2015 são disputas por terra, 135 são pela água e 84 têm causas trabalhistas como motivo.

Petronila aponta que esses dados sangrentos se devem também "ao avanço do capitalismo sobre as novas fronteiras agrícolas do país, que atropelam os direitos territoriais de povos indígenas, comunidades tradicionais e camponesas."

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