Notícia
Porto Velho, RO - Foi determinado pela Justiça o relaxamento de prisão temporária de 7 pessoas detidas durante a Operação Pouso Forçado deflagrada na manhã de sexta-feira (29) pela Polícia Civil de Rondônia, por meio da Delegacia Especializada em Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
Os servidores soltos ainda na noite de ontem foram identificados como Maria do Socorro R. S., 48, (ex-secretária adjunta da Sesau), Eliana Silvestrini A., 57, (ex-secretária do TFD), Rosimar G. V. X., 51, (assessora Sesau), Domitília S. F. M., 37, (enfermeira), Diana P. S., 45, (enfermeira), Rozenita A. P., 54, (assessora Sesau) e Tiago R. P., 32, também da Sesau (Secretaria Estadual de Saúde).
Eles estavam com prisão temporária de cinco dias junto com mais 6 pessoas, mas tiveram o relaxamento da decisão judicial e foram liberados. O ex-secretário de saúde Willimes Pimentel continua foragido.
A Operação Pouso Forçado trouxe à público uma suposta irregularidade em um contrato de serviço de transporte aéreo de pacientes firmado com a Secretaria Estadual de Saúde – Sesau/RO.
Na denúncia dos agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado – Draco, a empresa Rio Madeira Transporte Aéreo não estaria cumprindo as disposições contratuais com o apoio de gestores da secretaria.
ENTENDA A OPERAÇÃO
A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas – DRACO-, unidade da capital, iniciou, nesta manhã, o cumprimento de medidas cautelares que inauguraram a fase ostensiva da denominada “Operação Pouso Forçado”.
As equipes de policiais da DRACO e de outras unidades da Polícia Civil cumprem, nesta manhã, 13 (treze) mandados de prisão temporária e 14 (quatorze) mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados e na sede da empresa RIO MADEIRA TÁXI AÉREO – RIMA.
Entre os presos figuram dois ex-secretários da Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia (Williames Pimentel, da gestão Confúcio Moura, e Luiz Eduardo Maiorquin, gestão Daniel Pereira) e uma Secretária Adjunta da gestão anterior do governo estadual. Além desses, outros 09 (nove) servidores daquela pasta e o sócio proprietário da empresa investigada.
Por dentro da investigação – da instauração do inquérito policial ao cumprimento das medidas cautelares.
A ação desta manhã é resultado da investigação materializada no Inquérito Policial nº 023/2017-DRACO, que teve início a partir de uma denúncia anônima dando conta de supostas irregularidades nas contratações da referida empresa com o Governo do Estado de Rondônia, com destaque para serviços de transporte aeromédico, por meio da SESAU (Secretaria de Estado da Saúde).
As diligências do SEVIC da DRACO revelaram o vínculo nefasto – e nada republicano – de proprietários e alguns funcionários da empresa de táxi aéreo com a cúpula dos órgãos públicos contratantes. Ainda merece destaque a descoberta de uma segunda empresa, denominada STAR TUR TURISMO, com o mesmo quadro societário da investigada, sobre a qual surgiram indícios de ter sido constituída exclusivamente para fins de beneficiar alguns gestores, inclusive com doações a campanhas eleitorais no curto período em que esteve ativa no órgão de registro local.
Os investigadores da DRACO materializaram elementos de informação que corroboram a denúncia inaugural quanto à suposta associação de servidores públicos com o intuito de beneficiarem a empresa contratada em detrimento da utilização do GOA (Grupo de Operações Aéreas) do Corpo de Bombeiros Militar, que teria condições de atender à demanda contratada.
Em relação ao contrato de prestação de serviço aeromédico, firmado pela empresa investigada e a SESAU, foram constatadas inconsistências entre as informações prestadas pela empresa e as fornecidas pelo Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Manaus – DTCEA/AM, mormente quanto ao plano de voo fornecido pelos pilotos das aeronaves da RIMA. Escorada nessa constatação, em dezembro de 2018, a DRACO cumpriu mandado de busca e apreensão na sede da Secretaria, resultando na apreensão física dos autos do respectivo processo de contratação.
Nos 18 (dezoito) volumes do processo apreendido foram juntados as notas fiscais e relatórios médicos dos pacientes transportados pela empresa, nos anos de 2016, 2017 e parte do ano de 2018.
Já no início da análise, identificou-se que a maioria das informações prestadas pela empresa (dados da aeronave, os locais de partida e chegada, horas previstas de pouso e decolagem, rota, altitude, nome dos passageiros, tripulação, o percurso, dentre outras informações), quando da comprovação dos transportes, era discrepante àquelas fornecidas pelo DTCEA.
Ainda, visando a uma análise formal e material da contratação, fora demandado o Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro – LAB-LD/PC-RO, sendo constatada, entre outras irregularidades, a discrepância entre o Contrato nº 062/PGE-2016 e o respectivo Edital e Ata de Registro de Preços, mormente quanto à inclusão, por meio de retificação, da necessidade de “aeronave de asa fixa e pressurizada”, em flagrante direcionamento do objeto para a contratação da empresa RIMA.








