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Incêndio criminoso destrói área de 270 hectares que estava sendo recuperada em unidade de conservação de Rondônia

Local já tinha sido destruído antes por grileiros e passava por um processo de recuperação florestal. Polícia Militar e Ministério Público acreditam que essa é uma forma de obstruir as ações desenvolvidas pelo estado que têm o condão de manter a proteção das unidades de conservação.

Fonte:
19/09/2023 13h 22min

Notícia

Área reflorestada foi devastada por incêndio da reserva Rio Preto Jacundá em Rondônia — Foto: Robson Rafael

Área reflorestada foi devastada por incêndio da reserva Rio Preto Jacundá em Rondônia — Foto: Robson Rafael


Um incêndio devastou uma área equivalente a cerca de 270 campos de futebol na Reserva Extrativista Estadual Rio Preto Jacundá, em Rondônia. O local já tinha sido destruído antes por grileiros e passava por um processo de recuperação florestal.

O projeto é realizado pela ONG Rio Terra, governo de Rondônia e investidores. Quase 400 mil mudas de 100 espécies diferentes de árvores foram plantadas na reserva, entre elas espécies ameaçadas de extinção, como castanheira, cedro e mogno. Todas elas foram destruídas pelo fogo.

A Polícia Militar (PM) e o Ministério Público de Rondônia acreditam que o incêndio foi intencional, como uma forma de obstruir as ações desenvolvidas pelo estado que têm o condão de manter a proteção das unidades de conservação.

“Indicam sim que o incêndio é criminoso e que muito provavelmente ele tenha sido originário de pessoas que viviam naquela região atuando de forma criminosa com grilagem de terras públicas e praticando inúmeros ilícitos ambientais. Eles viam essa ação da empresa [de reflorestamento] como algo oposto aos interesses deles ali, nesse caso em específico para impor danos econômicos significativos também a ponto dela até se desinteressar pela atuação incisiva que ela está tendo naquela localidade”, aponta o procurador do MP-RO, Pablo Hernandez Viscardi.

Segundo a PM, a dificuldade de locomoção e grande extensão da área são apenas algumas das dificuldades que as forças de segurança enfrentam em casos como esse e que muitas vezes inviabilizam as prisões em flagrantes dos suspeitos.

“Os infratores traçam “picadas” dentro da mata e pra gente poder chegar até esses locais às vezes gasta um dia. Eles utilizam material para que fure o pneu das viaturas, eles derrubam árvores no meio do caminho. Quando a gente pega os flagrantes, normalmente é de surpresa, situação em que eles não imaginam que a nossa equipe vai ser lá naquele local”, relata o Tenente da Polícia Militar Ambiental de Rondônia, Marcilei Costa e Silva.

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Árvore derrubada no caminho da reserva Rio Preto Jacundá em Rondônia — Foto: Robson Rafael

Árvore derrubada no caminho da reserva Rio Preto Jacundá em Rondônia — Foto: Robson Rafael

Um relatório enviado para o Grupo Especializado em Meio Ambiente (Gaema) do MP-RO aponta suspeitos de praticar crimes ambientais dentro da reserva Rio Jacundá e interromper o projeto de recuperação causando danos ao meio ambiente.

“Normalmente se inicia com a retirada da madeira nobre e depois começa um processo de grilagem. É feita a derrubada das árvores da vegetação excedente é transformada aquela região em pastagem. Só disso a gente tem uma série de danos ambientais porque envolve todo prejuízo para a fauna, a flora, pra beleza daquela natureza”, comenta o Procurador Geral de Justiça do MP-RO, Ivanildo de Oliveira.

Recomeço

Para quem luta na proteção da floresta, queimadas criminosas servem como combustível para o andamento dos trabalhos. A Rio Terra já prepara milhares de mudas para reerguer as árvores, quantas vezes forem necessárias.

“O ocorrido aqui acaba como alerta para que esse processo de restauração seja de A a Z. Inicie desde financiamentos para implantação até a parte de monitoramento de todas as áreas”, ressalta a presidente do Centro de Estudos Rioterra, Fabiana Barbosa.

“É olhar pra frente, tentar fazer tudo de novo. Eles queimaram tudo, mas não queimou o que a gente aprendeu aqui, não queimou nossa vontade de fazer tudo de novo. Hoje em dia a gente tem muito mais capacidade de fazer e fazer melhor”, complementa o colaborador da RioTerra, Milton da Costa.

 
 
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