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Terapia de Paulo Gustavo não é indicada a todos pacientes

Fonte: DO R7

24/04/2021 08h 28min

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Terapia de Paulo Gustavo não é indicada a todos pacientes
Divulgação

A melhora, mesmo que lenta, do ator Paulo Gustavo após uso de um pulmão artificial para o tratamento da covid-19 fez com que as famílias de pacientes em estado grave pedissem a terapia para médicos e hospitais, na expectativa de cura do ente querido.

Mas, especialistas explicam que a utilização da ECMO (oxigenação por membrana extracorporal) não é indicada para todos e não serve para curar o pulmão dos doentes. A máquina auxilia na recuperação da infecção causada pelo SARS-CoV-2.

Para o cirurgião cardíaco Rafael Otto Schneidewind, um dos pioneiros do uso da técnica no Brasil, o procedimento deve ser usado para manter o paciente vivo até que o pulmão se recupere.

“A terapia não cura o pulmão, e sim faz o trabalho do órgão. Uma máquina puxa o sangue do corpo, oxigena e devolve ao corpo. A ECMO mantém o paciente vivo até que o pulmão descanse e melhore”, explica o médico.

Coordenadora de ECMO pediátrica da BP – a Beneficência Portuguesa de São Paulo, Larissa Gondim acrescenta que a técnica é usada como suporte para salvar as pessoas.

Terapia de Paulo Gustavo não é indicada a todos pacientes

“A ECMO é uma terapia ponte para alguma coisa. Por exemplo, é uma ponte para recuperação pulmonar, no caso da covid. Uma ponte para recuperação após cirurgia cardíaca. O procedimento salva muitas vidas, mas quando a doença é reversível e com chance de recuperação”, salienta.

Quem pode usar?


A implementação do pulmão artificial nos infectados por covid passa pela avaliação de um grupo de profissionais especializados e algumas características são levadas em consideração pela equipe.

“A decisão não é de um médico, de uma pessoa, é de uma equipe preparada para cuidar do paciente que analisa os benefícios do tratamento e os fatores de risco do paciente”, conta Larissa.

A condição principal para colocar um doente no pulmão artificial é a ineficiência dos ventiladores mecânicos para manter o paciente vivo. A partir daí, são avaliados outros fatores.

Terapia de Paulo Gustavo não é indicada a todos pacientes

“A partir da ineficiência dos ventiladores, analisamos outras indicações. Geralmente, não usamos em pacientes com idade avançada, com comorbidade grave, os imunossuprimidos, pessoas com doenças hematológicas graves e doentes que estejam há muito tempo intubado”, afirma Schneidewind.

O médico ainda ressalta: “Tem paciente que está há 20 dias no tubo, mas está estável. A família pede para colocarmos na máquina, mas não vai adiantar em nada. O tubo está fazendo o papel dele. A ECMO é para aquele paciente que está no começo da piora e os médicos percebem que a ventilação não vai dar conta", completa.

Gondim lembra, ainda, que pessoas com propensão a sangramentos também não devem usar a terapia.

“No procedimento usamos anticoagulantes e sabemos que a covid é uma doença tromboembólica [fácil formação de coágulos no sangue], se o paciente tiver algum fator que estimule o sangramento, usar a máquina pode causar a morte da pessoa. Sangramento em qualquer lugar, na cabeça, no intestino e até no próximo pulmão”, diz a especialista.

Como controlar as famílias?


A situação de Paulo Gustavo ajudou a divulgar um procedimento que já é usado no Brasil há mais de dez anos. Porém, aumentou ainda mais o trabalho dos profissionais de saúde, que precisam controlar a ansiedade das famílias sobre o procedimento.

“Quando as famílias têm pacientes próximos internados passam pelo momento mais frágil da vida delas. Nessa situação, as pessoas entram em desespero. A partir das notícias a família vê a terapia como salvação. Mas não é para todo mundo”, lamenta Rafael.

Larissa acredita que o jeito de acalmar familiares é explicar os riscos na saúde do paciente internado.

“A família pensa: se tudo der errado, vamos colocar na ECMO. É quando conversamos sobre os benefícios e o risco da terapia. A terapia não é a solução da covid. Tem momentos que sofremos, mas não podemos correr mais riscos que o necessário”, finaliza a especialista.

 

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