Notícia
Com a participação da subprocuradora-geral da República, Deborah Duprat, órgãos públicos e sociedade civil envolvidos com a questão agrária em Rondônia, realizaram reunião nesta terça-feira (4), na sede do MPRO, para debater seus principais entraves na atuação para a solução dos conflitos de terras e encaminhar providências.
O superintendente do Incra/RO, Cletho Muniz de Bito, apresentou dados como a existência de 106 áreas em situação de conflito situadas em 23 municípios, com 8.759 famílias acampadas. Segundo ele, a iniciativa de licitar terras públicas pelo governo federal no período da colonização do estado e a indefinição posterior dessa situação é a principal causa das disputas locais por terra uma vez que geraram precariedade na titulação. 41 títulos já foram cancelados pelo programa de regularização fundiária da Amazônia – Terra Legal e outros 18 estão em fase de cancelamento.
As principais limitações apresentadas pelos órgãos públicos situam-se nas esferas legais e estruturais. O governo de Rondônia quer a transferência das terras da União para o Estado acreditando que assim poderá resolver rapidamente as áreas em disputa. A AGU reclama falta de advogados para atuar no alto quantitativo de processos e a grande demanda que tem sido decidida equivocadamente na justiça estadual sendo a competência federal. O Incra e o programa Terra Legal têm dificuldades de atribuições, uma vez que cerca de 80% das áreas embargadas são da alçada de solução do Terral Legal e os problemas vêm para o Incra resolver.
Da sociedade civil estavam presente a OAB, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O representante da CPT, Josep Iborra Plans, demonstrou sua preocupação com a criminalização dos movimentos sociais e com a insegurança que vivem os pequenos produtores em acampamentos. “Até as populações tradicionais de Rondônia têm suas terras impunemente invadidas, tomadas por grandes posseiros e ameaçadas de morte”, alertou.








