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Rondônia

O goleiro Bruno e o drama do condenado que pagou sua dívida, mas continua sendo repudiado pela sociedade

Fonte: *Dimas Ferreira é editor do FOLHA DO SUL ON LINE

26/02/2020 17h 51min

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O goleiro Bruno e o drama do condenado que pagou sua dívida, mas continua sendo repudiado pela sociedade
Foto: Divulgação

Hoje aos 35 anos, o goleiro Bruno Fernandes de Souza enfrenta o drama típico de quem foi condenado e já pagou a pena pela monstruosidade cometida: não pode voltar a exercer a atividade na qual ficou consagrado!

Cotado para jogar num time de Rondônia, o Guajará-Mirim Esporte Clube, onde ganharia R$ 6 mil mensais de salário, o atleta vê mais uma porta se fechar. Ele já chegou a ser contratado por outros clubes, mas a pressão da “sociedade” fez com que fosse dispensado.

No auge da fama e do dinheiro, Bruno foi condenado por mandar matar uma amante. A jovem, cujo corpo jamais foi localizado, teria sido retalhada, antes de sua carne ser servida a cães. E esse é apenas um dos detalhes monstruosos do crime.

Quem defende que o goleiro continue pagando pela desgraça que praticou, alega que sua vítima não teve direito à vida, ceifada por motivo fútil. E argumenta ainda que o tempo que o acusado passou na cadeia foi muito curto para uma atrocidade tão grande.

No entanto, há quem questione: de que adianta pagar na justiça pelo erro cometido se, na prática, a condenação se mantém com as pressões que impedem o condenado de ganhar, de maneira honesta, fazendo o que sabe, o pão de cada dia?

Nestes tempos em que cada cidadão com acesso à internet se sente no direito de dar opiniões e militar inclusive em causas sobre as quais não possui o mínimo conhecimento, é compreensível a polêmica. A democracia tem disso...

De minha parte, não tenho nada a favor do Bruno, seja no futebol ou na vida pessoal. Como conterrâneo dele e com formação em Direito, acho que a pena aplicada ao caso foi correta, embora seja difícil entender como justo alguém perder apenas 22 anos e três meses de liberdade, quando se compara com a vítima, que perdeu o direito de viver. Quanto ao cumprimento da sentença, que lhe permite deixar as grades após um sexto da condenação, isso também é garantido por lei, a gente gostando ou não.

Resumindo: não há nada que impeça alguém de ser contra ou a favor do atleta voltar aos gramados. Que fique claro, porém: a pena extra que está sendo imposta ao jogador tem base moral (não legal), não tornará mais ou menos monstruoso o que ele fez (afinal, isso já foi julgado nas instâncias adequadas) e resultará num único efeito prático: Bruno será só mais um ex-presidiário desempregado, com grandes chances de buscar no crime aquilo que não conseguiu pela legalidade. Tomara que não aconteça...

Se bem que ele pode seguir o exemplo do ator Guilherme de Pádua, autor de um assassinato igualmente brutal, e que hoje, após cumprir sua pena, é pastor evangélico. Se o artista realmente se arrependeu ou se está apenas ganhando a vida numa atividade que desperta maior solidariedade, só Deus sabe... e é Ele quem irá julgar!

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