Notícia
Em cenário de crescente preocupação com a vulnerabilidade dos consumidores em operações financeiras, especialmente aposentados e pensionistas do Instituto Nacional Seguro Social (INSS), o Ministério Público Federal (MPF) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) têm consolidado parceria estratégica para combater fraudes e aperfeiçoar a segurança nos empréstimos consignados. Encontro entre as instituições, realizado na última quinta-feira (10), teve como foco incentivar o aprimoramento de normas e da autorregulação, visando fortalecer a comprovação de consentimento e reduzir a vulnerabilidade a golpes.
A iniciativa do MPF surge a partir do aumento nas denúncias que envolvem contratações não autorizadas e descontos indevidos de empréstimos consignados. Este panorama levou o MPF a instaurar um procedimento administrativo para apurar as irregularidades e fortalecer os mecanismos de proteção aos consumidores, em particular os beneficiários do INSS, que são frequentemente as principais vítimas.
Durante a reunião, o procurador da República Hilton Melo enfatizou a gravidade da situação, destacando o aumento no número de representações de cidadãos vítimas de crimes financeiros. Ele ressaltou que o tema está sendo tratado com alta prioridade dentro do Ministério Público, que não apenas investiga as fraudes já existentes, mas também busca proativamente formas de aprimorar a contratação e a transparência em todo o sistema de empréstimos consignados.
Medidas protetivas e corretivas - Nesse contexto, a Febraban apresentou medidas preventivas e corretivas adotadas pelo setor bancário, com um foco especial na autorregulação iniciada em 2020. O diretor-executivo da Federação, Amaury Oliva, apontou que essa autorregulação já conta com a adesão de 71 instituições financeiras, cobrindo 99% do mercado de crédito consignado. Essas instituições estão sujeitas a auditorias externas anuais, que se estendem aos 150 maiores correspondentes bancários, buscando garantir um controle rigoroso e contínuo.
Entre as principais ações implementadas, destaca-se a obrigatoriedade da biometria facial, uma medida crucial para a autenticação. É importante salientar que, desde novembro de 2022, a biometria facial tornou-se um requisito obrigatório nas contratações realizadas por correspondentes, em conformidade com a Instrução Normativa INSS nº 138/2022.
De forma complementar, o INSS passou a exigir o desbloqueio biométrico prévio dos beneficiários para qualquer nova operação, o que adiciona uma camada extra de segurança. Este desbloqueio, conforme explicado pelos representantes da Febraban, conta com checagem de biometria facial cruzada com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), embora seja reconhecido que nem todos os cidadãos possuem esse cadastro. Para superar essa lacuna, alternativas como o reconhecimento facial por verificação entre documentos e a imagem capturada no momento da contratação foram implementadas.
Além da biometria, o setor bancário tem incorporado outras tecnologias para aumentar a segurança das operações. “As contratações agora contam com recursos como geolocalização, reconhecimento de imagem e detecção de inconsistências documentais em tempo real, o que significa que há uma verificação mais robusta e imediata da validade e da autenticidade de cada transação, tornando o ambiente muito mais seguro para o consumidor”, destacou Amaury Oliva.








