Notícia
O Ministério Público Federal (MPF) entrou com duas ações na Justiça para exigir melhorias urgentes nas Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casais) de Cacoal e Ji-Paraná, em Rondônia. As unidades atendem indígenas de diversos municípios do estado, como Porto Velho, Guajará-Mirim e Alta Floresta do Oeste.
As ações foram apresentadas contra a União e pedem medidas imediatas para corrigir problemas estruturais e sanitários nas duas unidades, administradas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei). Segundo o MPF, as condições colocam em risco a saúde dos pacientes.
A procuradora da República Caroline de Fatima Helpa afirma que a situação compromete a dignidade e a saúde dos povos indígenas e que a falta de providências por parte do poder público coloca vidas em risco. Como o problema afeta indígenas de Rondônia e também de Mato Grosso, os processos serão analisados pela Justiça Federal em Porto Velho.
As investigações começaram após denúncias sobre as condições das unidades. Durante inspeções, o MPF encontrou superlotação, falta de leitos, estrutura precária e número insuficiente de profissionais de saúde. Em alguns casos, pacientes e acompanhantes precisavam dormir em colchões espalhados pelo chão.
Entre os principais problemas apontados estão fiação elétrica exposta, infiltrações, banheiros sem chuveiros ou fechaduras, pias quebradas e colchões rasgados, considerados impróprios para uso e com risco de provocar infecções.
Em Cacoal, a situação motivou protestos de indígenas, que chegaram a ocupar prédios da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e bloquear temporariamente a BR-364. As lideranças também denunciaram vazamento de fossas a céu aberto e a presença de insetos e outros transmissores de doenças na unidade.
Segundo dados do Dsei Vilhena citados pelo MPF, a Casai de Cacoal tem apenas 38 leitos para atender mais de 4,3 mil indígenas. O órgão reconheceu os problemas na estrutura, mas informou que uma nova unidade só deve ser construída em 2027.
Já em Ji-Paraná, o Dsei Porto Velho reconheceu, durante reunião com a Superintendência Estadual do Indígena (SI), que a estrutura está "completamente defasada". O prédio, projetado para atender cerca de 800 pessoas, recebe atualmente aproximadamente 3 mil indígenas.
Na ação, a procuradora Caroline Helpa destaca que as Casais devem oferecer um atendimento que respeite as características culturais dos povos indígenas. Segundo ela, além da doença, muitos pacientes enfrentam o sofrimento de ficar longe de suas comunidades, familiares, língua e do ambiente onde vivem.


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