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Justiça autoriza retomada do abate de búfalos invasores em áreas protegidas no Vale do Guaporé, em Rondônia

Projeto piloto do ICMBio prevê eliminação de parte dos animais que ameaçam espécies nativas e avançam sobre áreas indígenas e reservas ambientais.

Fonte: DO ROLNEWS
23/04/2026 13h 25min

Notícia

Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica

Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica


A Justiça Federal autorizou a retomada do abate experimental de búfalos invasores em áreas protegidas do Vale do Guaporé, em Rondônia. A ação é conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e havia sido suspensa no mês de março, poucos dias após o início, por decisão judicial após pedido do Ministério Público Federal (MPF).

O projeto piloto prevê o abate de cerca de 10% dos aproximadamente 5 mil búfalos invasores que vivem na região. O objetivo é testar métodos considerados mais eficientes e seguros para o manejo dos animais, além de avaliar os impactos ambientais da operação.

Segundo o ICMBio, os resultados do estudo servirão de base para a elaboração de um plano definitivo de erradicação da espécie nas áreas protegidas.

MPF questionou falta de plano e consulta às comunidades

O Ministério Público Federal havia solicitado a suspensão da ação alegando que o abate foi iniciado sem a apresentação formal de um plano de controle da espécie.

O órgão também argumentou que povos indígenas e comunidades quilombolas que poderiam ser impactados pela medida não haviam sido consultados previamente.

Na decisão inicial, o juiz federal Frank Eugênio Zakalhuk entendeu que uma decisão anterior autorizava apenas a elaboração do plano de controle, sem permitir o início imediato da eliminação dos animais.

Justiça reconsiderou decisão

Ao reavaliar o caso, o magistrado considerou os argumentos apresentados pelo ICMBio e concluiu que o projeto possui caráter científico e técnico.

Segundo a nova decisão, os testes são necessários para responder questões operacionais que vão subsidiar um plano definitivo de erradicação dos animais invasores.

A Justiça também reconheceu que o povo indígena Tupari, diretamente impactado pela presença dos búfalos, foi consultado previamente e manifestou apoio à ação.

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Em relação às demais comunidades tradicionais da região, o entendimento foi de que, neste momento inicial, não há impactos diretos sobre seus territórios.

Outro fator considerado pela Justiça foi o registro de aproximação dos búfalos a áreas habitadas por indígenas, representando risco à segurança de moradores, especialmente crianças e idosos.

ICMBio terá que apresentar relatórios

A decisão judicial determinou que o ICMBio apresente, a cada três meses, relatórios detalhando:

  • quantidade de búfalos abatidos
  • métodos utilizados
  • resultados das análises técnicas
  • impactos observados durante o projeto

O órgão também deverá comunicar formalmente comunidades tradicionais que possam ser impactadas futuramente.

Já a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) terá prazo de 90 dias para auxiliar comunidades indígenas e quilombolas na elaboração de protocolos de consulta prévia.

Entenda o problema ambiental

Os búfalos não são animais nativos do Brasil e não possuem predadores naturais na região.

Soltos e se reproduzindo sem controle, eles têm causado impactos ambientais severos, como:

  • destruição da vegetação nativa
  • alteração de áreas alagadas naturais
  • ameaça a espécies da fauna local
  • desequilíbrio ambiental em áreas de preservação

Atualmente, os animais circulam entre:

  • a Reserva Biológica do Guaporé
  • a Reserva Extrativista Pedras Negras
  • a Reserva de Fauna Pau D’Óleo

A região é considerada uma área ambiental estratégica por reunir características da Floresta Amazônica, do Pantanal e do Cerrado.

Segundo o ICMBio, devido ao difícil acesso da região e à falta de logística para retirada dos animais vivos, o abate é atualmente a única alternativa considerada viável.

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