Notícia
A Justiça Federal autorizou a retomada do abate experimental de búfalos invasores em áreas protegidas do Vale do Guaporé, em Rondônia. A ação é conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e havia sido suspensa no mês de março, poucos dias após o início, por decisão judicial após pedido do Ministério Público Federal (MPF).
O projeto piloto prevê o abate de cerca de 10% dos aproximadamente 5 mil búfalos invasores que vivem na região. O objetivo é testar métodos considerados mais eficientes e seguros para o manejo dos animais, além de avaliar os impactos ambientais da operação.
Segundo o ICMBio, os resultados do estudo servirão de base para a elaboração de um plano definitivo de erradicação da espécie nas áreas protegidas.
MPF questionou falta de plano e consulta às comunidades
O Ministério Público Federal havia solicitado a suspensão da ação alegando que o abate foi iniciado sem a apresentação formal de um plano de controle da espécie.
O órgão também argumentou que povos indígenas e comunidades quilombolas que poderiam ser impactados pela medida não haviam sido consultados previamente.
Na decisão inicial, o juiz federal Frank Eugênio Zakalhuk entendeu que uma decisão anterior autorizava apenas a elaboração do plano de controle, sem permitir o início imediato da eliminação dos animais.
Justiça reconsiderou decisão
Ao reavaliar o caso, o magistrado considerou os argumentos apresentados pelo ICMBio e concluiu que o projeto possui caráter científico e técnico.
Segundo a nova decisão, os testes são necessários para responder questões operacionais que vão subsidiar um plano definitivo de erradicação dos animais invasores.
A Justiça também reconheceu que o povo indígena Tupari, diretamente impactado pela presença dos búfalos, foi consultado previamente e manifestou apoio à ação.
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Em relação às demais comunidades tradicionais da região, o entendimento foi de que, neste momento inicial, não há impactos diretos sobre seus territórios.
Outro fator considerado pela Justiça foi o registro de aproximação dos búfalos a áreas habitadas por indígenas, representando risco à segurança de moradores, especialmente crianças e idosos.
ICMBio terá que apresentar relatórios
A decisão judicial determinou que o ICMBio apresente, a cada três meses, relatórios detalhando:
- quantidade de búfalos abatidos
- métodos utilizados
- resultados das análises técnicas
- impactos observados durante o projeto
O órgão também deverá comunicar formalmente comunidades tradicionais que possam ser impactadas futuramente.
Já a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) terá prazo de 90 dias para auxiliar comunidades indígenas e quilombolas na elaboração de protocolos de consulta prévia.
Entenda o problema ambiental
Os búfalos não são animais nativos do Brasil e não possuem predadores naturais na região.
Soltos e se reproduzindo sem controle, eles têm causado impactos ambientais severos, como:
- destruição da vegetação nativa
- alteração de áreas alagadas naturais
- ameaça a espécies da fauna local
- desequilíbrio ambiental em áreas de preservação
Atualmente, os animais circulam entre:
- a Reserva Biológica do Guaporé
- a Reserva Extrativista Pedras Negras
- a Reserva de Fauna Pau D’Óleo
A região é considerada uma área ambiental estratégica por reunir características da Floresta Amazônica, do Pantanal e do Cerrado.
Segundo o ICMBio, devido ao difícil acesso da região e à falta de logística para retirada dos animais vivos, o abate é atualmente a única alternativa considerada viável.
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