Notícia
Os primeiros advogados enfrentaram muitas agruras para atender suas demandas na Zona da Mata. Recém-chegado a Rolim de Moura, a 483 quilômetros de Porto Velho, o juiz de Direito Sérgio Nogueira Lima trouxe o martelo da Lei para uma cidadezinha ainda sem recursos. “Até para telefonar, ele tinha que ir à Prefeitura, onde estava instalado um dos poucos aparelhos em repartições oficiais; andava de bicicleta” – conta o advogado gaúcho Adi Baldo, que em 1983 participou do primeiro júri no salão de um clube.

Regiane Strukel, Airton Pereira de Araújo, Adi Baldo e Nivaldo Vieira de Melo: advogados de Rolim de Moura, em frente à sede da Subseção da OAB
Esse é um dos capítulos do início da justiça no interior de Rondônia, que foi elevada a estado ainda dependente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, onde acumulavam milhares de processos sem julgamento.
A cidade que mais teria governadores, vices, um senador e uma deputada federal com longos mandatos, só facilitaria o Poder Judiciário ao construir duas casas que deram origem ao primeiro Fórum, na Avenida Florianópolis.
“Aqui não tinha ninguém” – diz Adi Baldo referindo-se ao preenchimento de cargos no Poder Judiciário. “Precisávamos encontrar um rumo.”
Atualmente, mais da metade das ações existentes na comarca são previdenciárias.
Em 1982, o advogado Miguel Roumiê candidatava-se a presidente da Seccional, enfrentando o então já poderoso Rubens Moreira Mendes, que nos anos 2000 seria senador da República.
Com muito mais posses financeiras e influência no governo, Rubinho – como era chamado pelos íntimos amigos – conseguiu um avião para levar advogados votantes de Rolim de Moura à Capital. Eles foram, mas votaram em Roumiê.
Em 1984 a inauguração da comarca inteirava um ano, mas o juiz titular, um ex-funcionário do Incra vindo de Cacoal só assumiria o cargo um ano depois.
Adi Baldo lembra o histórico da Comarca:
CORRENDO ATRÁS DO JUIZ

Advogado Adi Baldo, nos anos 1980
Segundo conta Adi Baldo, a rotina do advogado não era fácil. “Estava tudo certo para eu receber dele o despacho a uma petição que possibilitaria o pagamento de uma fiança para libertar um preso denunciado por lesões corporais, quando o juiz embarcou de avião para Vilhena (a 249 km de Rolim); não tive dúvida, fui de ônibus atrás dele e ele me atendeu, e assim fui até o delegado Heliodoro, que soltou o preso.”
Quando necessário ajuizar ações, o mais prático era fazer elas não acontecerem, encontrando a solução em casa.
PRIMEIRO JÚRI

Corpo de Jurados em sua estreia na Comarca de Rolim de Moura

O Tribunal do Júri fez sua primeira sessão na sede de um clube social
Quarenta anos atrás, o primeiro júri em Rolim começou numa terça-feira às 9h, encerrando-se às 15h, no salão social do Clube Tropical, construído de madeira. O juiz foi Sérgio de Lima Nogueira, o promotor Jaime Ferreira, e o advogado de defesa Adi Baldo.
O réu foi o jovem Aparecido Morais Xavier foi absolvido. “A tese de homicídio culposo prevaleceu; ele defendeu-se do ataque de um amigo armado que prometera ‘acabar com a vida dele’ no meio do mato durante uma pescaria.”
Na mesma semana Adi Baldo teve dois julgamentos marcados, ambos de réus homicidas, tendo que pedir ajuda ao colega recém-chegado Jarbas José Custódio. Desta maneira, conseguia realizar o primeiro numa terça-feira e o segundo na quinta.
Nesse caso o réu fora sentenciado à pena de 22 anos, e na sequência os advogados obtiveram novo júri, no qual o juiz baixaria a sentença para oito anos.
Adi Baldo presidiu a subseção da OAB no triênio 2004-2006.
PARAIBANOS CHEGAM
Reviver o passado dá importância ao presente moderno. “Em 1985 éramos poucos quando uma famosa aviãozada trouxe de uma só vez 20 advogados do Estado da Paraíba, tempos do ex-secretário de segurança pública Walderedo Paiva, que também veio de lá” – conta o ex-presidente da subseção, Airton Pereira de Araújo.
Alguns dos advogados foram designados delegados de polícia.








