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Fiscais ambientais de RO são ameaçados durante fiscalizações em unidades de conservação

De 2013 a 2017 houve um aumento de 4.600% no número de hectares desmatados. Fiscais ambientais são ameaçados pelos invasores.

Fonte: Do G1 RO
08/12/2017 10h 53min

Notícia

Fiscais ambientais de RO são ameaçados durante fiscalizações em unidades de conservação

Com um aumento de 2.600% no número de hectares desmatados entre 2013 a 2017, o Parque Estadual Guajará-Mirim vem perdendo números expressivos da unidade de conservação ambiental. Dos 77 hectares desmatados inicialmente, após extração ilegal de madeira e queimadas para formação de pasto, já são menos 3.637 hectares.

Para tentar controlar a situação, as fiscalizações no local aumentaram e os fiscais ambientais que atuam no local sofrem ameaças constantes e atentados contra a vida. Em julho deste ano, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) apreendeu 61 motocicletas, 29 motosserras, 21 armas de fogo, nove tratores e seis caminhões. Também foram aplicados mais de R$ 3 milhões em multas a pelo menos 65 pessoas.

Fiscalização intensificada

No coração de Amazônia, uma base foi construída para servir de apoio para fiscais da Sedam fazerem a proteção do Parque Estadual Guajará-Mirim, que abrange os municípios de Nova Mamoré e Guajará-Mirim.

A edificação precisou ser transformada em uma fortaleza por causa das constantes ameaças feitas aos fiscais. Em um áudio encontrado em um aparelho celular apreendido com invasores, eles chegam a dizer que a fiscalização só vai acabar depois que os policiais forem mortos.

Atualmente, a base também recebe o apoio de policiais do Batalhão Ambiental e do Comando do Operações Especiais (COE), para garantir a segurança do local.

Desmate e fiscalização

G1 acompanhou o grupo responsável pela fiscalização no Parque Estadual Guajará-Mirim. Nesta oportunidade, agentes da Polícia Federal (PF) também integraram a força-tarefa com o objetivo de chegar até a Terra Indígena Karipuna, outra Unidade de Conservação, distante cerca de 120 quilômetros, passando pela Reserva Extrativista Jaci-Paraná.

Na Reserva Jaci-Paraná são encontrados acampamentos que servem de abrigo para os invasores fazerem a retirada de madeira. Quando os fiscais chegam ainda encontram alguns pertences pessoais dos suspeitos, mas eles fogem, embrenhando-se no que restou da floresta.

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“Quando há um pequeno efetivo e não há equipes especializadas, eles partem para cima dos fiscais e por isso se faz necessário um aparato maior de segurança”, explica o comandante do Comando de Operações Especiais da PM, justificando a ação ostensiva das forças de segurança.

Em vários pontos das Unidades de Conservação de Rondônia é possível verificar a extração ilegal de madeira e a ação clandestina dos madeireiros. Investigações da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e da PM mostram que esses grupos esperam a fiscalização estar em outros pontos da reserva para promover a devastação, bem como a atuação noturna, o que dificulta o trabalho de prevenção.

Em outro ponto da Reserva Jaci-Paraná, o G1 constatou a presença da atividade pecuária, o que é contra a lei.

Trindade de Souza, gerente do Parque Guajará-Mirim, explica que a pecuária é o segundo ciclo da exploração de áreas de preservação. “Inicialmente eles invadem e retiram a madeira mais nobre. Geralmente eles queimam tudo o que sobrou e plantam capim para a criação de gado”, explica Trindade.

Um dos problemas para coibir a pecuária nessas áreas é a dificuldade em encontrar as pessoas que se identifiquem como donos da propriedade ou dos animais. “Geralmente eles entram com o gado por acessos clandestinos e quando a fiscalização está em outras áreas. O ideal é a gente pegar o caminhão retirando os animais para sabermos a quem eles pertencem e assim responsabilizarmos os donos”, esclarece Trindade.

Para o gerente do Parque Estadual Guajará-Mirim as ações são necessárias para evitar o desmatamento. “Para garantirmos o futuro, ações como estas são extremamente necessárias, uma vez que invasores destroem a floresta cada vez mais, invadem, retiram as riquezas de uma forma totalmente ilegal”, explica.

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