Notícia
Antonio, o Andarilho, do grupo Andarilho Expedições, que realiza excursões e expedições em motocicletas, publicou no último domingo (10) ter encontrado três pirâmides na floresta de Rondônia. “São cumes alinhados e diferença de 100 metros de altura entre elas”, disse Antônio. “Vou manter sua localização sob sigilo, pois estão dentro de um parque nacional, aqui em Rondônia”, contou ele, em mensagem ao jornalista e pesquisador Montezuma Cruz, de Porto Velho.

Prováveis pirâmides encontradas pelo grupo Expedição Andarilho da Amazônia, em 2018
Há oito anos foi descoberto e registrado no cartório de Rolim de Moura, um sítio arqueológico composto de geoglifos, elevações artificiais de terra, escadas de pedra, artefatos de pedra (inclusive esmeraldas) e de cerâmica indígena, que fica numa região a 402 km de Porto Velho.
Tudo tem mais de mil anos e faz parte de um conjunto de achados que se configuram patrimônio arqueológico da humanidade. Ao revelar a existência do sitio arqueológico localizado entre Rolim de Moura, Alta Floresta do Oeste e Alto Parecis, o pesquisador, farmacêutico, bioquímico e perito criminal voluntário, Joaquim Cunha da Silva, que morreu em 9 de setembro de 2016, alertou estudiosos, o Ministério Público e o Governo Federal sobre a necessidade de uma discussão com base científica e antropológica.

Santuário descoberto por Joaquim Cunha da Silva, em 2011, em Rondônia
“Quero proteger isso tudo do avanço cada vez maior das queimadas e do desmatamento indiscriminado feito por tratores, para extração de madeiras, criação de áreas de pastagens e para a construção de usinas hidrelétricas”, justifica ele. No documento registrado em cartório, ele praticamente repetiu os dados sobre as mais recentes descobertas e fez considerações a respeito do perigo iminente da devastação. Apelou ainda à Polícia Federal e à Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e já antecipou a fatalidade, caso não sejam tomadas as devidas providências em relação à conservação dessas descobertas: “Nas áreas entre os geoglifos têm ocorrido queimadas e derrubadas com tratores, ambas com o fim de ampliação das pastagens”, disse Cunha ao Ministério Público Federal.
Segundo ele, as queimadas anuais não respeitam nem as margens dos rios. “Uma nova queimada seria desastrosa, porque destruiria os geoglifos”, levando-se em conta a característica peculiar destes geoglifos de Rondônia, informou o pesquisador no termo de declaração. Cunha alertou para a destruição de geoglifos, principalmente no entorno da Reserva Biológica do Guaporé, no distrito de Izidrolândia, em Alta Floresta do Oeste.
Assim, estão diretamente ameaçados os geoglifos dos sítios arqueológicos Pirâmide do Condor e painel da Via Láctea, ambos localizados em Alta Floresta do Oeste.

Alatra semelhante encontrado na Colombia. Foto: Cabildo Mayor Muisca Chibcha Boyaca
A Descoberta dos Geoglifos
Sobrevoo e expedições terrestres permitiram ao pesquisador chegar aos geoglifos por ele descritos, dentro da tese de serem evidências de que o local foi parte do Eldorado-Paititi, o lendário Reino do Gran Moxo, do povo inca.
Cunha estava acompanhado por um grupo de proprietários rurais e percorreu toda área a pé, documentando e fotografando cada uma das evidências arqueológicas, explicando que, além da pesquisa de campo e sobrevôos, suas descobertas também se basearam em imagens do satélite CBER2 e do Google Earth.
Em todas as suas pesquisas se confirmou a existência de evidências da cultura inca, porém, dentre suas descobertas a que mais se destaca são os geoglifos, que ao contrário dos encontrados em outros locais, como Acre, Rio Grande do Sul e até em outros países, que foram construídos com pedras ou através de sulcos no terreno, em Rondônia os geoglifos possuem característica ímpar, pois foram elaborados utilizando-se da técnica de paisagismo vegetal, dando origem a grandes desenhos, normalmente de animais com centenas de metros, resultante do contraste provocado pela utilização de diferentes tipos de vegetação, sobre relevo (levantamento de terra ou ilha artificial), existentes no meio da mata, o que faz com que só sejam perceptíveis do alto. Baleia e gato, supostamente é uma das marcas dos sobreviventes incas que teriam habitado a região, procedentes da Amazônia Peruana. A Baleia mede um km.

O Paititi ou El Dorado é aqui
A crença de Joaquim Cunha de que o Paititi existiu em Rondônia muito antes de ser Rondônia é a cópia de um mapa do século XVII, encontrado no Museu Eclesiástico de Cuzco. Nele está descrito o “país do Paititi”, possivelmente identificado como o Paraíso.
Mas esse mapa é puramente simbólico, ele reconhece. Porque não indica nomes reais de acidentes geográficos. Aponta apenas ‘monte’ e ‘rio’. Algumas expedições em terras de Rolim de Moura, Izidrolândia, Alta Floresta do Oeste, Alto Parecis e Porto Rolim permitiram-lhe examinar os vestígios de uma parte da civilização Inca na região. “Todos os pesquisadores iam o Peru, quando a história me levou a pensar que as localidades de Paititi e Moxos estavam juntas, no Reino Gran Moxos”, explica.
Se o Paititi existiu mesmo em Rondônia, já está no Google e nas centenas de fotos feitas por ele, com explicações minuciosas a respeito de coincidências com relatos feitos por pesquisadores internacionais, que já estiveram na Amazônia Peruana e talvez, também por aqui.
Uma das várias evidências do Paititi, segundo seus estudos, está no geoglifo Cabeça do Condor, inédito e nunca anteriormente fotografado ou relatado. “Na imagem da cabeça, a lhama mãe está bem visível. No contorno há o capim Peabiru. Fazem parte do conjunto de geoglifos da Via Láctea a lhama mãe, que mede cerca de um quilômetro; a cabeça do Condor, de 300 metros. Isso existe há séculos”, ele explica.
Sobrevôo próximo à Ilha de Porto Rolim permite ver o geoglifo com a serpente, o jaguar e o condor, tal qual mencionam alguns pesquisadores da história inca.


Cemitério Inca
Próximo à cabeça do geoglifo da Lhama existe um cemitério arqueológico com cerâmicas e ossadas. Segundo Cunha, o curral da antiga Fazenda Glovaski foi construído sobre esse local. A descoberta acidental, já que o curral surgira anteriormente à descoberta do cemitério, só foi possível por ocasião da queda de uma árvore, quando então apareceram as urnas funerárias.
Cunha lembra a importância de se conservar as áreas com vestígios da antiga civilização em território brasileiro. “Entre outras informações que comprovam o conhecimento avançado destes povos, posso citar o fato de os nativos da América já terem calendário de 365 dias há mais de dois mil anos. Eles usavam esse calendário no planejamento de suas atividades, inclusive na agricultura.”

Via-Láctea
Foto Satélite CBRS 2 2008 Cortesia Joercio Paulino da Costa da Delta Topografia de Vilhena-RO
Georreferenciado por Joaquim Cunha da Silva









