Notícia
Por causa da pequena Alice, que com apenas 22 dias de vida luta contra uma leucemia congênita e o pai fez campanha por sangue, a Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia (Fhemeron) recebeu nos últimos três dias grande quantidade de pessoas interessadas em doar. É algo que sempre acontece quando um caso ou outro geram comoção e também quando há tragédias.
Uma delas, vivida pelos norte-americanos em 13 de setembro de 2001, quando as torres gêmeas foram explodidas, citada pelo responsável do Setor de Coleta, assistente social Dimarães da Silva, ilustra a situação. “Naquele momento se coletou tanto sangue que o chefe da Defesa Civil foi demitido porque sangue foi desperdiçado. Aconteceu nos Estados Unidos, acontece no mundo todo essa comoção. No caso dessa criança, a Alice, vem um mundaréu de gente desde segunda-feira”, afirma Dimarães, cuja equipe está com a capacidade técnica ao máximo para dar conta do atendimento.
Na segunda-feira, 3, a Fhemeron recebeu 157 pessoas, e efetivamente 118 doaram. No dia seguinte, terça-feira, foram 220, com 133 doações após a triagem e eventuais desistências. Nesta quarta-feira, 5, tinham chegado 81 pessoas até 11 horas, parte delas, cerca de trinta, doadores do Departamento Estadual de Transito de Rondônia (Detran), que desde 2013 é parceira da Fhemeron.
Rebeca da Cruz Ferreira, de 19 anos, funcionária da Gerência Financeira, aguardou pacientemente a vez de entrar na sala de coleta. Soube da mobilização pelo órgão em que trabalha, sentindo-se motivada a aderir ao grupo que eventualmente faz doações. “Minha mãe teve câncer, precisou de bolsas de sangue e recebeu. Por isso resolvi doar também”, disse, manifestando vontade de continuar doando.
É exatamente essa doação fidelizada que a Fhmeron precisa. “Nós entendemos a comoção, esse gesto das pessoas, mas é importante que elas entendam que tem inúmeros pacientes nos hospitais, todos os dias, precisando de sangue, e que a Fhemeron é responsável por fazer a captação, sorologia e fazer a distribuição em todo o estado de Rondônia para a rede pública e particular. Precisamos de estoque estratégico. A comoção passa e as pessoas somem. Precisamos de doadores fidelizados”, apela Dimarães.
Em toda a hemorrede de Rondônia existem mais de 60 mil doadores cadastrados, mas a fidelização é pouca. O assistente social Dimarães assegura que o número deles é insatisfatório, e que para atender Porto Velho são necessários que ao menos cem doadores ao dia façam a doação.
“Porto Velho tem uma demanda muito grande. Temos que levar em conta que o Hospital de Base faz mutirão de cirurgias eletivas, no hospital do câncer uma grande maioria precisa tomar sangue, fazer transfusão de plaquetas, tem a quimioterapia, radioterapia, e no João Paulo II são as urgências e emergências que tem de ser atendidas. A estatística aponta que 80% dos acidentes de transito são com motoqueiros, que quebram a perna, fêmur, a bacia ou o braço e vão precisar de sangue muitas vezes, aumentando a demanda transfusional, e infelizmente a quantidade de doadores fidelizados não acompanha isso”, lamenta Dimarães.
DOENÇAS HEMATOLÓGICAS







