Notícia
Imagina viver com uma alergia a algo tão essencial para a vida: a água. Chorar, suar e até beber água se tornam um risco para a saúde da rondoniense Vera Freitas, de 52 anos, moradora de Urupá (RO), a 397 km de Porto Velho. Aos 50 anos, ela descobriu a condição rara chamada urticária aquagênica.
A urticária aquagênica provoca coceira, vermelhidão e pequenas lesões na pele em contato com a água. A causa ainda não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma reação anormal do sistema imunológico.
Os primeiros sinais da condição de Vera começaram a surgir há quatro anos. A pele pinicava, surgiam lesões semelhantes a picadas de inseto, calombos apareciam pelo corpo, o rosto ficava vermelho e ela estava constantemente rouca.
“Quando eu ia tomar banho, ficava muito vermelha. O corpo queimava como se eu tivesse tomado banho em água quente. Já cheguei a ficar até cinco dias sem tomar banho. E quando escovava os dentes, a garganta queimava, a língua inchava como se eu tivesse comido pimenta-do-reino”, contou ao g1.
Os sintomas passaram a limitar as tarefas simples do dia a dia: “Chegou a ponto de eu não conseguir lavar louça sem sentir as reações. Se eu fosse cortar um tomate gelado, minha mão inchava na hora”, relatou.
Vera buscou ajuda médica e recebia antialérgicos, mas não melhorava. Foram necessários dois anos e mais de 300 exames até que o diagnóstico correto fosse feito.
Depois disso ela precisou mudar completamente a rotina. Atividades comuns, como a higiene pessoal e até o ato natural de suar, passaram a ser controladas para evitar crises. Ela cortou o cabelo porque o suor fazia a cabeça pinicar e deixou de usar ventilador, já que o vento na pele causava desconforto. Até beber água se tornou um risco. Vera conta que só consegue ingerir líquidos em temperatura ambiente e sempre após se medicar.
“Já cheguei a tomar comprimido com café, porque eu não conseguia tomar água. Quando a sede apertava muito eu tentava tomar água de pouquinho, para ver se ela descia e com esse calorão de 40 graus, quantas vezes, à noite, eu acordei com vontade de beber água e não podia”, lembra.
Vera Oliveira com urticária aquagênica após contato com a água — Foto: Acervo Pessoal
Para controlar os sintomas, Vera usa hidratantes corporais, antialérgicos e um medicamento imunológico. O tratamento, porém, tem alto custo: R$ 45 mil, em média, a cada seis meses.
Ex-zeladora, a mulher precisou deixar o trabalho por causa da alergia e hoje vive apenas com o salário do marido. Sem condições de arcar com as despesas, acionou a Defensoria Pública do Estado de Rondônia (DPE-RO), entrou com uma ação contra o Estado e o Município e conseguiu garantir o acesso ao medicamento por pelo menos seis meses.
Segundo a médica alergista e imunologista, Sandra Lopes, que acompanha o caso de Vera desde o início, a paciente precisa seguir com o tratamento por mais dois anos. Caso a alergia evolua, o período pode ser estendido.


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