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Crise da maturidade, Por Neri de Paula Carneiro

Postada em 10/08/2018 00:18hrs
Fonte: Da Assessoria para o Rolnews

Crise da maturidade, Por Neri de Paula Carneiro

Quando as pessoas atingem uma determinada idade dizemos que ela atingiu a maturidade. Isso significa que já não é mais uma criança. Que já passou a juventude e com sua bagagem de experiência, agora amadurecida, caminha em direção ao aprimoramento. Quanto maior longevidade, maior o volume de experiências acumuladas e, podemos supor, maior sabedoria.

Pensando assim, podemos dizer que quanto mais madura é a pessoa, mais sábia ela é!... ou deveria ser....

Por outro lado, ainda falando a respeito das pessoas maduras: pode ocorrer que ao fazer uma retrospectiva de suas realizações ela se depare com um vazio existencial; pode ocorrer que ao buscar suas realizações e as demonstrações de sabedoria acumulada, depare-se com uma lista de frustrações que nasceram não da falta de experiência, mas das oportunidades perdidas ou desperdiçadas... É a crise da maturidade! “O que fiz da minha vida?” - a pessoa s pergunta.

Vivemos em Rolim de Moura. Uma das tantas cidades de Rondônia. Cidade que se formou a partir da garra dos pioneiros que avançaram pela mata e, de certa forma, obrigaram o INCRA a repensar seus projetos de colonização. Coisa típica dos jovens que, no arrojo de sua virtuosidade impetuosa, avançam fronteiras e superam desafios e dificuldades e obstáculos e constroem um mundo novo: sonho de realizações. Tudo isso no dinamismo juvenil, quando aventura é companheira do dia a dia; ocasião em que se fazem coisas grandes não só porque o jovem é capaz disso, mas porque o potencial juvenil é vibrante e não respeita fronteiras.

O tempo passou. Os anos da maturidade chegaram.

E Rolim de Moura passou dos 30 anos. Já não é mais jovem. Já é quase uma senhora quarentona. Já podemos dizer que é uma jovem senhora ou que está em plena maturidade. Já é uma jovem senhora pode contar os frutos que produziu em seu processo de amadurecimento, as trilhas que a conduziram para que chegasse a esta idade: pujante ou reticente...?

E na hora do balanço o que percebemos?

Rolim de Moura nasceu linda. Cresceu sorridente. Acolheu a quem por ela procurou e foi base para quem prosperou. Foi e permanece plena de possibilidades. A cidade, enquanto entidade física e geográfica tem potencial. É uma senhora que aproveitou as lições dos anos. O mesmo não se pode dizer de alguns de suas lideranças políticas; elementos que, por vezes deturpam a dimensão política da cidade.

Com as cidades ocorre o mesmo que nos casamentos. Alguns são duradouros, até que a morte separa os cônjuges; outros são efêmeros como a fumaça que intoxica; passa logo, pois o fogo se apaga: são as ondulações de ações políticas mal conduzidas. São casamentos que, ao invés de produzir filhos maravilhosos, produzem e expõem os conflitos de interesses nefastos.

Nas cidades também ocorrem relações de infidelidade. A rigor a cidade é fiel e se propõe a viver a vida inteira junto com os seus – ou propiciar boa vida aos seus. Mas as lideranças políticas nem sempre são assim: quase sempre a traem ou traem o povo.

Existem cidades, por aí, que são celeiros de vocações para a vida política. Mas no fim das contas eles usam as cidades como trampolim para ascensão pessoal: de vereador ou prefeito, vão para o legislativo estadual ou federal; assumem o governo do estado e alguns até sonham com o Palácio do Planalto... (embora a maioria deles esbarre na barreira da ficha suja). Mas depois que estão lá no alto – essa é a pior traição desse casamento – abandonam as bases em nome de outros interesses. Continuam jurando fidelidade, até mantêm o mesmo endereço. Mas são infiéis.

E assim passou o aniversário da cidade, sem um evento comemorativo para que a ela cantássemos parabéns. Mas quando mesmo foi o aniversário? Alguém se lembra da data?

Neri de Paula Carneiro

Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador

Rolim de Moura - RO

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